03/12/2008

Homem primata, capitalismo selvagem...


Vida de ESTUDANTE universitário é mesmo árdua, não é ?
Salas de aula cheias, professores desmotivados (alguns!), colegas "oba-oba" e um sem-número de dúvidas sobre as matérias, a profissão, o futuro, o passado, os caminhos...

Mas, se tem uma coisa que deixa qualquer estudante de cabelo em pé é o famigerado estágio. Ô situação difícil viu!?
Tem gente que é obrigada a estagiar para cumprir a grade do curso escolhido.
Contudo há os que desejam fazê-lo para integrar-se ao mercado e aprender na prática o ofício escolhido.
Porém, uma dúvida é inerente a qualquer colega de cadeira acadêmica: Por que diabos as empresas acreditam que estagiário não precisa de dinheiro e deve ganhar uma miséria?

Ok! ok! Eu sei ! As empresas usam a desculpa da vivência na profissão para explorar a mão de obra barata, inexperiente e muitas vezes desesperada para "entrar na área".
Mas será mesmo que eles acreditam que uma pessoa que ganha R$ 300,00 por mês estará motivada para fazer um trabalho de qualidade, com entusiasmo e dedicação?
Não, eu não acredito nisso!
A curto prazo, pode ser que o novato desempenhe bem seu papel e se esforce, mas trabalhando durante meses num ritmo pesado, nem o mais dedicado dos profissionais consegue se sentir motivado, sem o estímulo financeiro adequado.

Afinal, as empresas assumem o papel da "filosofia do lucro" sobre todas as coisas e o tão proclamado endomarkentig se desfaz, como em um discurso do time que perdeu o título no minuto final do campeonato.

Como quem parafraseia a Rede Globo, eu só posso dizer: "Exploração, a gente vê por aqui!"

23/11/2008


Em tempos de Barack Obama, comemoração do Dia da Consciência Negra (no Brasil) e hipocrisia fantasiada de "ser politicamente correto", faz-se mais do que necessário refletirmos e discurtirmos até onde o preconceito está infiltrado em nosso ideal de cidadãos.
Abaixo um artigo (por sinal, brilhante!) de Luiz Fernando Veríssimo, em que ele descreve as diferentes abordagens do racismo no mundo.

PS: O texto faz parte do livro "O Mundo É Bárbaro - E o que Nós Temos a Ver Com Isso", da editora Objetiva, lançado no ínicio deste ano.

Espero que gostem !

Suzana Matias

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A Questão

É difícil imaginar um negro como Barack Obama sendo eleito presidente - do Brasil. Dos Estados Unidos, talvez. Lá um negro já chegou a secretário de Estado, e foi substituído no cargo por uma negra. Desculpe: afro-descendente. Pelo menos não escrevi "um negão como Barack Obama", ou, para mostrar que não sou racista, "um negrinho".

A diferença entre um país e outro é essa. Lá o racismo é uma questão nacional. Aqui uma ficção de integração dilui a questão racial. E se a questão não existe, se ninguém é racista, por que nos preocuparmos com denominações corretas ou incorretas? Só quando a ficção é desafiada, como no caso das cotas universitárias, é que aparece o apartheid que não se reconhece.

Um dos marcos das relações raciais nos Estados Unidos não foi a primeira vez em que um negro interpretou um herói no cinema, provavelmente o Sidney Poitier. Nem a primeira vez em que um negro e uma branca, ou vice-versa, namoraram na tela. Foi a primeira vez em que um negro foi o vilão do filme. Colin Powell e Condoleezza Rice, que chegaram a secretários de Estado, e o próprio Obama, devem suas carreiras a esse vilão histórico, que significou o fim dos estereótipos e a aceitação, sem melindres, de que negro também pode ser ruim, igual a branco. Se a cor da pele não determinava mais que ele fosse sempre retratado como um inferior virtuoso ou uma vítima, também não o descriminava de outras maneiras. Powell e Rice levaram essa reversão de esteréotipos ainda mais longe. Os dois são do partido republicano. Como Clarence Thomas, único juiz negro da Suprema Corte americana que também é um dos seus membros mais conservadores.

Claro que a cor da pele vai ser um fato na eleição ou não do Obama, como o fato de ser mulher vai ajudar ou não a Hillary. Por isso mesmo, sua possível eleição seria uma prova dessa transformação da questão racial no país, uma vitória numa guerra por direitos iguais que lá - ao contrário do Brasil - nunca foi disfarçada, ou desconversada. Aqui a miscigenação significou que alguns quase-negros, ou só um pouco afro-descendentes, chegassem ao poder, mas miscigenação entre nós não tem significado integração por vias naturais, e sim apenas outra forma de despolitizar e adiar a questão.

Obama será o candidato dos democratas? Estão comparando sua campanha com a de Bob Kennedy, pelo entusiasmo que provoca numa faixa de idade que não se interessava tanto por política desde a mobilização contra a guerra do Vietnã. Li que 40 por cento dos americanos que podem votar este ano nunca conheceram outro presidente que não fosse um Bush ou o Clinton, e Hillary seria outro Clinton nessa dança de dinastias. Assim, Obama seria uma novidade em mais do que o sentido racial. Como se precisassem outros.

Na comparação com Bob Kennedy, claro, ninguém ainda lembrou (pelo menos não sem bater na madeira) que aquela novidade terminou numa poça de sangue, no chão de uma cozinha de hotel. Batamos todos na madeira.

20/11/2008

O revés da tecnologia

Nossa, faz tempo mesmo que não escrevo aqui!
Estou sem inspiração e com tanta coisa na cabeça que não tenho conseguido organizar o pensamento e colocar tudo no "papel".
As vezes é como se o mundo fosse nos engolir com tanta informação, com tanta coisa para aprender...
Há alguns dias assisti o making of do filme "Olga" e durante as entrevistas, a atriz Camila Morgado disse uma coisa que tem muito a ver com o que sinto e sei que muitos também sentem. Ela disse mais ou menos assim: "Talvez seja difícil para muita gente hoje dia entender, mas nossa geração é cheia de informação e pouca FORMAÇÃO".
E sabe, eu concordo plenamente com ela, pois observo as pessoas da minha geração e percebo que poucas são aquelas que tem uma base cultural bem estruturada, com acesso a arte, literatura, música de qualidade, exposições, documentários, cinema, livros, viagens e uma infinidade de coisas que auxiliam na formação do caráter e da personalidade de cada indivíduo.
Noto que, até mesmo na faculdade, nós - a maioria - pouco temos de conhecimento sobre como funciona, basicamente, a sociedade em que vivemos, a política, economia e as estratégias de sobrevivência nesse mundo cão que é a "vida lá fora".
Com isso, não conseguimos interpretar de forma proveitosa o que é transmitido pelos professores, porque para associarmos nossas vivências ao que aprendemos é necessário ter experiências que auxiliem na absorção das coisas não-obvias.
Temos, também, uma certa preguiça em nos extender em alguns assuntos, sem "saco" para ficar pesquisando...está tudo tão a mão, tão fácil e ao mesmo tempo tão pouco interessante.
Estes dias fiquei pensando no quão difícil deve ter sido a vida das pessoas no passado, (sem esta facilidade toda que estamos acostumados hoje em dia) para estudar, se informar e construir um repertório de conhecimento, mas, ao mesmo tempo, concluí que deve ter sido muito mais instigante investigar e aprender coisas diferentes.
Quando os educadores dizem que nossa geração é preguiçosa, eu sinto que devo concordar, pois hoje em dia poucos são os que se aprofundam nos assuntos, tudo fica sempre superficial e talvez seja porque temos acesso a tantas coisas, que nosso tempo seja curto para apreciar qualquer uma delas com mais profundidade do que as pessoas que viveram em outros tempos e que por isso tem a paciência e o hábito de ir mais fundo nas coisas.
Um exemplo disso é a falta de interesse da maioria dos mais velhos com a tecnologia, e mais precisamente a internet, pois para eles deve ser mesmo difícil lidar com tanta coisa ao mesmo tempo e continuar sendo focado.
São hipóteses, mas fico apreensiva pq acho que o nosso futuro talvez acabe sendo pequeno e raso, pois uma geração pouco fundamentada em suas convicções e sem vivência, pode acabar tornando-se pouco inovadora e fraca ideologicamente.
E você, o que acha?

04/11/2008

Barack Obama, o rosto de futuro


Belíssima, emocionante e histórica a vitória daquele que poderá mudar o destino de todo o planeta, Barack Obama.

Foram inúmeras as ironias desta noite, dentre elas:

* Um país reconhecidamente racista eleger um presidente negro, unindo-se num propósito de mudança, sem se render a preconceitos de cor, credo ou ideológicos.

* Um sujeito com os dois sobrenomes relacionados a grandes inimigos americanos (Saddan Hussein e Osama Bin Laden) conseguir chegar à disputa e se eleger de forma tão eloquente.

* A esposa e a filha mais velha vestidas de vermelho no primeiro discurso de Obama, justamente a cor do maior opositor do presidente eleito, o partido republicano.

* A vitória de um homem relativamente jovem e com uma história política curta e - até o momento - extremamente voltada para os interesses do povo e das minorias.

Foi muito bonito ver a emoção estampada nos olhos de Obama, sua gratidão aos que fazem parte de sua história, aos que fizeram desta a maior campanha eleitoral já executada em todo o planeta e principalmente a declaração de amor aos EUA e ao povo americano.

PATRIOTISMO

O comparecimento maciço dos eleitores para a votação e o choro do reverendo Jesse Jackson e dos muitos americanos presentes em Chicago, durante o discurso de Obama, foi uma incrível demonstração de respeito, preocupação, luta e esperança.

Muitos de nós falamos mal dos EUA e de sua gente, mas uma coisa ninguém pode negar: Os norte americanos AMAM seu país e lutam para que possam ser sempre uma nação forte, equilibrada e vitoriosa.

Foi uma lição de cidadania, respeito e dedicação!

MUDANÇA ??? YES, WE CAN!

03/11/2008

Jornalismo funcional

CQC, o melhor programa da Tv aberta na atualidade!
Informativo, cara de pau, inteligente, ousado e irreverente.
Foi paixão à primeira zapeada.

26/10/2008

A robotização do proletariado como símbolo do Capitalismo

(Resenha do filme Tempos Modernos de Charles Chaplin )


Logo início do filme “Tempos Modernos”, onde visualizamos um grande número de pessoas andando num mesmo sentido - de maneira uniforme, podemos observar a utilização da grande massa como meio maior de propagação do capitalismo, indicando que havendo uma robotização do modo como as pessoas enxergam os processos em que vivem se torna mais fácil à execução de estratégias sociais e econômicas, por parte da burguesia, gerando assim a alienação em que as sociedades modernas estão acostumadas a viver.

A alienação profissional a que o personagem de Chaplin é submetido nos revela o quanto somos cobrados pela unidade e produtividade, ao passo que a classe patronal, muitas vezes, se diverte enquanto observa se os resultados esperados estão sendo cumpridos e onde mais é possível “enxugar” para poder produzir e gerar mais e mais resultados, colocando seus interesses em primeiro plano, em detrimento do bem estar social.
Aliada a isso, a falsa idéia de liberdade e controle que temos sobre nossas escolhas, nos faz ter a impressão de igualdade entre todos, o que na verdade não passa de mera ilusão, visto que não podemos nos apropriar da riqueza que produzimos, nem de opinar sobre nossas condições de trabalho (vide horários, funções e formas de produção) e muito menos de obter os valores de uso à que tanto lutamos para obter.

A questão central do filme mostra-se justamente na idéia de que o proletariado é usado como se fosse parte de uma máquina, onde sequer tem o direito de pensar sobre o que está fazendo e para onde vai aquilo que produz, sendo que a exploração de sua força de trabalho lhe faz praticamente parte da máquina que opera, chegando mesmo a exaustão.
Toda essa automatização faz com que o homem perca a noção de vida real, colocando sua integridade física e psíquica em risco, enquanto o proprietário da indústria não lhe dá nem o direito ao descanso, considerando que isso causa prejuízos e é perda de tempo, inclusive tentando utilizar-se de tecnologias cada vez mais avançadas para manter seus funcionários ocupados, mesmo enquanto comem.

A produção em grande escala e a utilização da mão de obra se torna tão mecânica que o funcionário passa a produzir e repetir os processos de forma ininterrupta, causando um estresse mental a ponto de ser enviado a um sanatório.
Quando se recupera, ele tentar voltar ao antigo emprego e verifica que este não existe mais, sentindo-se perdido, ele vaga pelas ruas e em meio a uma manifestação acaba sendo confundido como líder grevista, o que foi prontamente classificado como um avilte à burguesia e prontamente rejeitado, e vai preso.

Essa forma brutal e compulsiva de não permitir que as pessoas tenham direito a escolhas ou que achem que tem, produz alguns dos efeitos que vemos todos os dias em mais e mais lugares... desemprego, fome, miséria e loucura.
Àqueles que se rebelam e tentam fugir dessa padronização, restam a marginalidade, a exclusão e/ou a mais completa solidão.

18/10/2008

Eu "Ouvo"



Eu sempre gostei muito de música e isso, algumas vezes, já me trouxe alguns aborrecimentos, pois muita gente não consegue entender como uma pessoa consegue gostar de diversos estilos musicais, sem se enquadrar no perfil modinha de "Ai, eu sou eclético" e nisso ficam questinando como eu posso ouvir Sandy & Junior, Calypso, Britney Spears, Ivete Sanaglo, Maria Bethania, Lenine, Gonzaguinha e Cazuza, tudo numa mesma tarde.

Mas ai eu pergunto: QUAL O PROBLEMA?

Na verdade, posso dizer que gosto de algumas músicas de diversos estilos, isso sim seria mais fiel ao meu modo de me conectar à música.

Não gosto de me sentir obrigada gostar de apenas um artista, (Pq vamos combinar que o Cult hj é determinar seu gosto por um tipo de artista e se fechar para todo resto) se há tantas boas coisas e ótimas letras em outros estilos e sons, aliás o real é que muitas vezes uma música não diz absolutamente nada de aproveitável em sua letra, mas a batida, o som e a "pegada" me conquistam.

Acredito que tudo na vida da gente é o momento e isso serve muito para as canções, pois as emoções que sentimos ao ouvir uma música que nos lembra algo ou alguém nos remete ao prazer de sentir novamente a emoção de um momento alegre, triste, romantico, dramático...

Como já diria Lulu Santos: "...Vamos nos permitir..."


14/10/2008

Oração do jornalista



"Deus não deixe eu chegar atrasado à redação.
Que eu possa Senhor cumprir minha pauta, conseguindo informações corretas e úteis, sem aparecer mais que o entrevistado.
Que eu consiga uma boa fotografia.
Que a câmera filmadora não falhe e o motorista esteja disponível.
Senhor, tomara que a internet não saia do ar e que o meu editor não esteja de mau-humor.

Peço-lhe Senhor, muita paz e tranqüilidade durante a entrevista e discernimento para fazer a matéria justa e bem elaborada.
Que o tempo seja suficiente para cumprir a outra pauta que me aguarda, logo em seguida, do outro lado da cidade.
E que o meu trabalho contribua para diminuir a desigualdade social, e ajude a melhorar a qualidade de vida do planeta.
Que eu entregue tudo a tempo e não sofra nenhuma agressão.
Ou pior, seja alvo de uma bala perdida, virando notícia.

Que a matéria seja simples sem ser simplista.
Que não seja prolixa e sim criativa.
Que eu não cometa nenhum erro de português, Senhor, para não ser massacrado pelos colegas.
Principalmente Senhor, que eu não caia no pescoção... que possa pagar minhas contas com esse salário e que nenhum jabá me seduza.
E, finalmente, meu Deus, me ajude para que eu possa entregar tudo revisado e no prazo do dead line.
Assim seja!"

07/10/2008

Qual é?


As vezes fico pensando em pq será que temos sempre a obrigação de sermos mais antenados, mais intelectuais, mais pró-ativos, mais cheios de especializações, mais bonitos, mais charmosos, mais simpáticos, mais mais mais...

Vc já parou pra pensar na quantidade de cobranças que recebemos?

Você tem que estudar...
Você tem que trabalhar...
Você tem que ser culto...
Você tem que ler...
Você tem que cuidar do meio ambiente...
Você tem que ser paciente...
Você tem que malhar...
Você tem que usar salto...
Você tem que se maquiar...
Você tem que namorar/casar...
Você tem que ser magro...
Você tem que saber onde se usa a porra da crase...


Ando cansada do "policamente correto"! De TER que fazer e responder aquilo que os outros (leia-se: chefes, professores, gente com mais dinheiro, família, namorado...) querem.

Olho a minha volta e vejo o quanto tem gente alienada e burra se dando bem na vida e sendo feliz assim.
Muitas vezes sinto um misto de vontade e vergonha em falar: NÃO TENHO OPINIÃO FORMADA SOBRE ISSO!

Será que estamos fadados a eterna insatisfação, a insegurança, a busca?
Até que ponto os esforços são recompensados, quiçá reconhecidos?

PS: Sem essa de que todo conhecimento adquirido serve para você e não para os outros... eu tb. acho isso lindo, mas SÓ isso NÃO ME SUSTENTA, NÃO ME DÁ DINHEIRO, NÃO ME AJUDA A TER GRANA PARA PAGAR AS CONTAS AO FINAL DO MÊS.
Minha cabeça está um nó, acho que a rebeldia da adolescência está batendo agora.

"Cada um chama de claras as idéias que estão no mesmo grau de confusão que as suas próprias" Proust

02/10/2008

Ritmooooooo, é ritmo de festaaaaaaa!!!

Clique na imagem para ver em tamanho "natural"...


Surrupiado na maior cara de pau do TÔ SORTO.