17/08/2014

Livros abertos




Admiro profundamente pessoas que sabem guardar seus segredos, suas venturas e desventuras, aquelas que são discretas por natureza.

E é pensando nisso que mais uma vez me pego divagando no por quê de não conseguimos guardar as coisas para nós mesmos...

Apesar de saber que ninguém realmente está interessado no que se passa em nossas vidas, a gente vai lá abre, conta e se diverte com risos fáceis e conselhos fúteis. Só pra depois descobrir que na verdade o que o outro achou é que foi tudo ridículo e que você não passa de um idiota.

Pois é, o fato é que quando a gente fala demais, sempre se arrepende...

Começo a desconfiar que a necessidade de alardear as vitórias e compartilhar pequenas alegrias, seja apenas mais um sintoma da insegurança e baixa autoestima latentes.

Falar menos, ouvir mais. POR QUE ISSO É TÃO DIFÍCIL?

09/08/2014

Aceita, que dói menos!



Eu queria entender qual o problema que as pessoas tem em assumir que gostam de cultura popular? Seria isso medo de parecer inculto? Ah vá! 

Eu gosto de Luan Santana, gostava do "Vai dar namoro" ("Hj nao Faro!"), adoro BBB, li livros de autoajuda (Que até foram bem úteis!), sempre fui noveleira e apaixonada por axé music.
E nada disso me diminui como ser humano e muito menos me impede de apreciar outras tantas coisas bacanas. 

O fato de me divertir e usar meu tempo para coisas que me acrescentam muito não deveria ser motivo pra que eu não pudesse relaxar e usar outras partes do meu dia para me divertir despretensiosamente.
No final, se me faz feliz é o q realmente interessa. 

21/11/2013

Em Chamas e a insaciável sede de oprimir


A continuação de Jogos Vorazes conseguiu ser ainda mais eletrizante que seu antecessor.
Com uma trama cheia de surpresas, "Em Chamas" é envolvente, assustador e ao mesmo tempo cheio de citações perfeitamente cabíveis em nossa sociedade.

Após ter desafiado a estrutura montada pelos organizadores dos Jogos Vorazes, Katniss Everdeen tem que enfrentar novamente o sistema e lutar contra os vencedores de outras edições do programa para defender a vida do povo de Panem e das pessoas que mais ama.

Um filme quente, que fala de amor, responsabilidade, senso de justiça, vingança, manipulação, alienação, revolta, luta e conspiração.

Emoção do começo ao fim.

Vale cada centavo!

Dilemas de uma democracia



E a polêmica do momento é a questão da liberação ou não das biografias sem autorização prévia, o que levanta questões como censura, invasão de privacidade, o limite dos direitos coletivos em detrimento dos individuais e as falhas na aplicação das leis.

De um lado, editores de livros, biógrafos e toda a classe jornalística levanta a bandeira para a liberdade total e irrestrita de publicações de biografias, sem que seja preciso autorização da pessoa em questão.

Em contrapartida, no lado oposto dessa briga estão nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Roberto Carlos, Djavan e vários artistas que se sentem invadidos em seu direito a privacidade, por biografias não autorizadas e sob as quais eles não possuem nenhum ganho financeiro.

Como jornalista e cidadã, obviamente sou totalmente a favor da liberdade de expressão e informação, porém as pessoas tem que tender que mesmo tendo meios para se defender de coisas publicadas/comercializadas, aos atingidos resta apenas remediar os estragos.

A discussão em si é realmente complexa, porém o fato é que vivemos num mundo onde a privacidade das pessoas vem sendo violada com frequência - não apenas no caso dos artistas, mas sim em todas as esferas da sociedade - ao mesmo tempo em que as leis não são cumpridas com a devida rapidez e rigor.

Na verdade, o que está sendo discutido é muito mais amplo do que a questão das biografias.
Estamos falando sobre direitos e deveres e isso é o que realmente precisa ser levado em consideração, ao invés de picuinhas de classes.

Obviamente, para o mínimo de funcionamento de uma democracia, precisamos estar atentos a todas as tentativas de tolher o direito de nos expressarmos de forma livre, autônoma e lúcida, porém é imprescindível refletir sobre as leis e criar formas mais duras de punir ofensas e excessos.

Realidade nua e cruel


Narrado com precisão e objetividade por Caco Barcelos, “Rota 66” foi um dos livros mais difíceis que já li na vida.

A violência, a maldade e a frieza de alguns policias - aliada a conivência da imprensa e incentivo de um sistema que premia e absolve quem mata mais - é assustadora até mesmo para quem sabe que de inocente este mundo não tem nada.

Trata-se de um trabalho relativamente antigo, mas tremendamente atual em tempos de “Amarildos” e escândalos envolvendo policiais e provas forjadas contra manifestantes.

Do ponto de vista jornalístico, trata-se de um livro extremamente corajoso, baseado em dados obtidos durante um minucioso e arriscado processo de investigação, que resulta em um grande objeto de estudo sobre apurações jornalísticas.

Definitivamente “Rota 66” é daquelas obras dignas de nos fazer perder a fé em tudo mais que nos cerca. Um livro pra quem tem estômago!

19/06/2013

O que queremos?



Participei anteontem da manifestação na Praça da Sé e foi uma momento de reflexão muito grande acerca de tudo que vi estando lá e o que havia visto antes na mídia.

Para começar posso dizer que foi lindo ver que a mobilização social e todo o desejo de mudança que estava claro no rosto das pessoas.
Contudo é preciso observar que para mudar é preciso não só reclamar, mas sim propor ideias que possam ser executadas, assim como aconteceu com a exigência na revogação do valor das passagens.

Devemos perceber que existe uma grande diferença entre aderir a um protesto e fazer volume sem pensar e nem trazer nada de novo a ele.
E digo isto por ter visto que muitas pessoas estavam lá, mas encaravam a manifestação como um evento e não como uma causa importante.
Vi gente com cervejinha na mão pulando como se estivesse numa micareta, gritando indignada enquanto jogava a embalagem do que comia no chão e tirando foto com a multidão de fundo - numa espécie de Rock in Rio #EuFui .

Todo mundo quer ser o herói de uma geração, aquele que lutou e fez história, mas a pergunta é: COMO?

Este é o momento para nos engajarmos politicamente e conhecermos mais sobre como funciona nosso sistema. Falta maturidade e consciência política!
Estamos condicionados a levar as coisas na maciota, alienados num mar de informação, sem assimilar as ideias vindas de todos os lados.
Somos acostumados a ver, achar legal e compartilhar, tudo isso sem ir atrás de outras fontes e nem verificar a veracidade das informações.

É necessário mostrar a insatisfação? Sim! Mas também é importante saber sobre o que se fala para então propor mudanças argumentando e trazendo transformações de verdade.

Gritar contra a corrupção ou a favor da educação, segurança, transporte e saúde é louvável, mas o mais legal é poder chegar e dizer que é contra a PEC 37, que exige a condenação dos culpados pelo mensalão, o fim do foro privilegiado e a aprovação do projeto que criminaliza a corrupção.

Fora isso podemos sair às ruas para apoiar as súplicas de professores, policiais e médicos que sonham em ter melhores condições de trabalho, a começar pelos salários.

O que não dá é para sair bradando contra tudo ao mesmo tempo e assim descaracterizar o significado de cada manifestação que houver.

Não desmereço aqui a presteza e a colaboração de todas as pessoas que se dispuseram a sair às ruas para tentar mudar alguma coisa, mas só espero que nada disso seja em vão.

Afinal, o que queremos?
Ser a capa do jornal do dia seguinte ou a matéria digna dos livros de história?


18/06/2013

Quem tudo quer, nada tem.



O que aconteceu ontem foi uma das coisas mais bonitas que eu já vi na vida, pois mostra que o Brasil não é um país de gente passiva, que só se manifesta quando o assunto é futebol ou carnaval.
A tomada das ruas feita por mais de duzentas mil pessoas em todo o país reflete claramente o grau de insatisfação da população com inúmeras situações com as quais convivemos cotidianamente.

Todavia, há que observar que o motivo original desde o início do movimento é a redução das tarifas do transporte público e seria importante que as pessoas, por hora, se concentrassem na base desta questão até a resolução do problema.

Sabemos que há uma demanda enorme de coisas que destroem a autoestima do povo brasileiro, porém se não focarmos no motivo principal todo o protesto cairá no vazio das coisas imensuráveis.

Se tornarmos a manifestação um ato de "descontentamento’ ou ‘insatisfação geral’ ela acabará não tendo resultado prático, pois não terá foco, e é isso que o poder público deseja. Eles não querem a discussão sobre o transporte, muito menos que as pessoas possam ter influência prática nos rumos das políticas públicas através de ações diretas.

Lutar contra a corrupção, a PEC 37 ou os gastos exorbitantes e mal utilizados para a Copa do Mundo é tão importante quanto gritar por saúde, educação e segurança públicas mais dignas, contudo é preciso ser objetivo para atingir o primeiro ponto e então ir em busca de todas essas outras coisas.

Na verdade, muita gente não percebe que para se conseguir resultado é preciso causas concretas e propostas coerentes.

Neste momento, além da diminuição do valor das tarifas de ônibus, uma boa causa para se fazer ouvir e conseguir atingir a questão da corrupção é sair às ruas exigindo que todos os pedidos de recursos dos condenados do mensalão sejam negados pelo ministro Joaquim Barbosa.

Outro motivo claro para reclamar por direitos é a votação da PEC 37 - emenda constitucional que limita os poderes de investigação do Ministério Público e que com isso pode se tornar uma forte arma a favor da impunidade - que será votada em plenário no próximo dia 26/06.

Para finalizar, há que se atentar para as reais motivações de adesão aos protestos, pois as manifestações foram e são legítimas, mas é preciso tomar cuidado para que o ato de participar de um evento desta magnitude não esvazie as causas em si.

Não se trata de um show de rock!

12/06/2013

O protesto que a mídia não mostra.

Foto: Folha de São Paulo
REVOLTA!
A única coisa que eu consigo sentir neste momento é REVOLTA!

Eu apoio veementemente o movimento contra o aumento das tarifas abusivas do transporte público e quero ir pra rua e lutar junto com quem está lá, porém tenho medo de sair e apanhar simplesmente por estar exercendo o meu direito de me expressar.

Alguém acha isso justo num país democrático?

Não quero e nem vou quebrar nada, porém quem me garante que só por estar lá gritando com um cartaz na mão não serei considerada inimiga e poderei até ser presa?
Se até jornalista apanhou e está preso...

Enfim, o que mais me revolta é que tem tanta coisa envolvida nestas manifestações que as pessoas não se dão conta...

As pessoas não veem em momento algum a cobertura enfatizar a razão da manifestação (o aumento abusivo das passagens) e não se questiona sobre?

É IMPRESSIONANTE O GRAU MANIPULAÇÃO A QUE ESTAMOS SENDO SUBMETIDOS!

Há muitas pessoas - e isso inclui desde gente muito pobre até intelectuais como Sr. Arnaldo Jabor - reclamando que os jovens que estão indo pras ruas são rebeldes sem causa que estão reclamando SÓ POR CAUSA DE VINTE CENTAVOS a mais na tarifa de ônibus.
Além disso, alegam ainda que o povo deveria lutar contra a corrupção, contra a violência e contra uma série de outras mazelas deste país, contudo o que estas pessoas não entendem é que:

1 - Ao protestar por algo que pode ser medido em números (como o valor da passagem do transporte) é possível mensurar os resultados e com isso mostrar para a população que vale a pena ir pra rua pra lutar contra a corrupção, a falta de segurança pública, a saúde precária e tantas outras coisas.

2 - Protesto não é o mesmo que passeata! E em qualquer protesto SEMPRE VAI EXISTIR CONFRONTO, o que quer dizer gente machucada, algumas coisas quebradas e muita coisa fora do normal, incluindo o trânsito.

3 – A grande maioria de manifestações populares é ligada a um ou vários partidos. O que não quer dizer que todo mundo que está lá é associado a algum desses partidos.
(*Neste caso, pelo que pude perceber, o movimento está sendo apoiado por partidos como o PSTU, PDB, PSOL e PV)

4 – Sempre haverão infiltrados contratados por bases governistas (municipais, estaduais ou federais) para causar danos à cidade e com isso legitimar abusos por parte da polícia, colocando o povo contra o próprio povo.

5 – N-A-D-A neste país vai mudar se quem for pra rua continuar apanhando e ainda ser recriminado pela própria população pela qual luta.

6 – O maior interessado em calar as vozes destas pessoas é esse sistema público brasileiro que TODO MUNDO TANTO CRITICA, mas que na hora do vamos ver não faz NADA.

7 – É muito fácil ficar em casa reclamando nas redes sociais e falando que antigamente as pessoas lutavam pelos seus direitos. O difícil é ir, meter as caras e tentar mudar as coisas de verdade ou antes de criticar  parar e analisar o que acontece e o que não está sendo dito.

8 – Convenhamos que pelo volume de gente que foi às ruas durante estes dias, se a maioria quisesse realmente vandalizar, o estrago seria milhares de vezes maior.

9 - Enquanto aqui a imprensa e a população se voltam contra quem se manifesta, lá fora os jornais de todo o mundo mostram que a juventude nacional se revoltou contra os abusos econômicos e é apedrejada por todos os lados.
*A incoerência fica por conta de que quando nós vemos qualquer manifestação de outros países achamos lindo como as pessoas são politizadas e lutam por seus direitos.

10 - É por essas e outras que as novas gerações preferem ir embora do país e deixar sua força de trabalho e suas mentes criativas enriquecerem outras nações.

De qualquer forma, novamente afirmo que mesmo com toda a minha convicção sobre a legitimidade dos protestos, sou completamente contrária a qualquer tipo de vandalismo.

11/06/2013

Como protestar sem causar transtorno?


Gostaria que todos que criticam  a manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus "perdessem" um pouco do seu precioso tempo para refletir sobre os reais motivos de somente o lado negro do movimento estar sendo mostrado.

Legal seria se as pessoas que estão em casa pudessem ver os dois lados da moeda. Isso sim seria JORNALISMO!

No entanto, o que acontece, é que a imprensa se esquece de ouvir o que as pessoas tem a dizer e prefere mostrar somente os atos de violência cometidos por uma minoria, ao invés de mostrar a polícia soltando bombas de efeito moral, spray de pimenta e bala de borracha em gente que está lá somente gritando e lutando por algo melhor para todo mundo.

Muita gente alega que fazer esse tipo de manifestação em horário de pico prejudica a própria população, contudo a questão é que quando o povo vai para O MEIO DA RUA a coisa incomoda e quando a coisa incomoda o poder público chega com violência e alguns vândalos se revelam.

Não estou aqui justificando os atos selvageria ocorridos nos protestos de todo o país, mas sim convidando as pessoas a pensar no real sentido da manifestação e no que a MAIORIA das pessoas que estão ali querem.


Você já viu alguma manifestação onde o povo sai de branco, num domingo, gritando por paz ou qualquer outra coisa dar certo?

É PRECISO INCOMODAR SIM! 

E quando falo em incomodar, não falo de destruir nada público ou privado, mas falo do trânsito da cidade.


De qualquer forma, em toda manifestação com muita gente é certo que se perde o controle da massa.

E é fato que muitas pessoas criminosas se aproveitaram da situação para destruir e causar todo tipo de prejuízo, porém por causa de alguns, TODOS são criminosos?

Será que isso faz de TODO O MOVIMENTO ilegítimo?

Além do mais, muita gente se revolta quando começa a ser coagida e tolhida em seu direito de se manifestar.

Saliento ainda que se trata TAMBÉM de uma manifestação que tem envolvimento de partidos como o PV e o PSOL e que por isso não tem apoio da mídia.

No mais, se os manifestantes conseguirem diminuir o preço das passagens as pessoas vão perceber o tamanho de sua força e ai nem governo, nem imprensa e nem ninguém segura o povo que deseja mudar muita as coisa nesse país. 
Afinal, existe motivação maior do que sentir o poder em suas mãos?


Pare, pense e tire VOCÊ suas próprias conclusões.



E se mesmo assim continuar achando que tudo isso é uma palhaçada, me diga: A solução qual é? É se omitir e não fazer nada?

28/05/2013

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