11/05/2011

Ainda sobre o uso das palavras

Após alguns dias pensando sobre o que escrevi no texto sobre a banalização de termos da saúde mental, me veio à cabeça que algumas pessoas podem confundir meu ponto de vista com falta de comprometimento em analisar as queixas alheias. Como se eu achasse que todo mundo que reclama ou pede ajuda é leviano.
Contudo, o que critico é o uso indiscriminado das palavras para designar uma situação.

Durante quatros anos de faculdade fui chamada a observar o poder que uma palavra mal colocada pode ter sobre qualquer situação, daí que há dois anos trabalhando como Agente Comunitária de Saúde percebi que além da mídia, muitas pessoas - pacientes e profissionais da área - fazem mau uso das palavras e com isso podem estigmatizar alguém pelo "simples" fato de ter usado a palavra errada, na situação errada.

Acredito que podemos e devemos sim ter condescendência com aqueles que falam coisas por não saber se colocar de outra forma. O que não podemos é nos furtar ao dever de esclarecer ao outro aquilo que sabemos, pois só assim será possível ajudá-lo a aprender a se colocar melhor e evoluir culturalmente.

04/05/2011

Palavra e Poder: Vc sabe usar?




Às vezes fico pensando no quanto alguns termos, inicialmente utilizados apenas por profissionais de saúde mental, estão sendo colocados de forma leviana.

É tão banal hoje em dia se falar em depressão a qualquer sinal de tristeza ou descontentamento, reclamar de uma suposta bipolaridade quando alguém tem oscilações de humor, dizer que uma criança sofre bullying ao menor sinal de um "chato, feio, bobo" ou até mesmo associar um fato criminoso como obra de um psicopata.

Na verdade, o que não se discute é como alguém que não estudou ou tentou se aprofundar num assunto tão complexo quanto a saúde mental, enquanto desfila seu repertório de "diagnósticos" equivocados, pode acrescentar algo de novo ou realmente ajudar o indivíduo que está em sofrimento.

É uma temeridade observar que a sociedade, com o advento da internet, tenha intensificado os "achismos" e feito de qualquer diferença uma doença, que precisa de cura ou tratamento.

Além disso, é impressionante ver também que a qualquer sinal de conflito são indicados psiquiatras ou psicólogos para "resolver" os problemas que não conseguimos solucionar, como se o profissional pudesse ter o poder de descobrir a fórmula mágica que dará fim a qualquer adversidade cotidiana ou como se o uso de remédios e psicoterapia, por si só, seja capaz de solucionar as mazelas individuais e coletivas.

Há que se conscientizar - e isso eu ainda não sei como fazer - sobre o empoderamento e a responsabilidadede de cada um sobre o que o cerca e suas ações, que com certeza, despertarão reações e consequências.


Suzana Matias

03/04/2011

O sublime direito a diferença


Inicio este texto com dois trechos da matéria "Preconceito - o meu, o seu, o nosso", publicada neste mês na revista Claudia.

"Sim, eu tenho preconceitos. E você também.
É difícil aceitar que somos politicamente incorretos e que em algum nível há uma intolerância gratuita que insistimos em cultivar. "Não há ninguém sem preconceitos, e a pior armadilha é imaginar que você não tem", diz o filósofo Mario Sergio Cortella. Na visão dele, agimos mal toda vez que rejeitamos uma ideia apressadamente ou aderimos a ela sem antes conhecê-la de fato.
Duas grandes força estão por trás disso: a fragilidade de raciocínio e a arrogância tola, que não compreende a diversidade humana."

"Cortella acredita ainda que, a vida é feita de escolhas e assim, sempre haverá julgamento. " MAS, O JULGAMENTO PRECISA SER EMBASADO EM CRÍTICA. OLHAR O OUTRO BASEADO NO ESTERIÓTIPO REVELA COMODISMO, PREGUIÇA DE PENSAR E IMPEDE QUE SEJAMOS SURPREENDIDOS PELAS VANTAGENS DA DIFERENÇA."


Depois de ler a matéria fiquei pensando sobre o tema e concluí que o que me surpreende é que muitas pessoas não percebem que mascarar ou camuflar o preconceito é completamente diferente de inibir a exposição do que há de pior em nós, A INTOLERÂNCIA A DIFERENÇA.

Por isso, muitos dos que defendem a exposição agressiva do seu modo de pensar dizem que aqueles que tentam manter o bom senso e renegam seus piores instintos, são hipócritas. Porém, estes mesmos se esquecem que todos temos o dever de utilizar a prudência ao expor nossos sentimentos e que os que consideramos diferentes são seres humanos e que como tal merecemos respeito e direito a dignidade.

Além disso, é interessante perceber que ao falar sobre preconceito sejamos remetidos, quase que imediatamente, a homofobia ou ao preconceito racial. O que faz com que as discussões sejam rasas e altamente ligadas a crenças antigas, a religiões e ao senso comum onde as "leis" da sociedade se sobressaem ao direito individual de cada cidadão.

O importante em toda essa reflexão é entender que ninguém gosta de ser discriminado, rebaixado e menosprezado pelo outro, por ser MULHER, GORDO, MAGRO, CATÓLICO, ESPÍRITA, EVANGÉLICO, MUÇULMANO, HOMOSSEXUAL, JUDEU, DOENTE MENTAL, FEIO, BONITO, ÍNDIO, ANALFABETO, MORADOR DE FAVELA OU CIDADÃO DO TERCEIRO MUNDO.

Falando nisso, em qual dessas minorias você se encaixa?


Suzana Matias

31/03/2011

Insensata audiência



A critica especializada e a própria audiência tem mostrado que Insensato Coração não está sendo uma grata surpresa no horário nobre Global, com sua falta de dramas convincentes, protagonistas de peso e personagens instigantes.
Analisando um pouco mais profundamente, me pergunto: Será que não estamos esperando algo com uma carga dramát...ica além do que se tem mostrado e criticado tanto em outros programas de TV?

Há muito se discute a importância da realidade social ser retratada nas novelas, mas incoerentes que somos, queremos ver barracos, traições, paixões avassaladoras e uma infinidade de grandes tragédias do cotidiano.
O que se esquece é que a vida não é feita apenas de emoções fortes ou que nem sempre o dia a dia é cheio de momentos de puro glamour.
Assim como nos cafés da manhã em família, nas burocráticas salas de trabalho, nos bate-papos de filas de banco, nas incertezas das relações e na falta de afeto ao outro, nossos dias muitas vezes passam despercebidos, com aquele que é terror dos tempos atuais, O TÉDIO.

(Ninguém quer perder tempo! É tudo "junto e misturado" e "neste momento agora". O negócio é estar antenado, atualizado, na vibe... em movimento.)

Contudo, alguns argumentam: "Mas novela é ficcção e entretenimento e como tal, deve nos distrair do monotonia diária..." e é ai que entra a incoerência, pois quando mostram-se as tão pedidas cenas de sexo, nudez, violência (física ou verbal) e tantos outros tabus, esses mesmos que querem se divertir, são os primeiros a criticar e defender a moral e a civilidade.

Agora me diga, será mesmo que a novela está monótona ou a audiência é que anda indecisa e um tanto controversa em seus desejos?

29/03/2011

Àquela...



Absolutamente "Mariada" pela doçura e encantamento de Maria. Aquela que pode ser o maior dos pesadelos femininos, mas que também soube ser a marca da beleza, da paixão pela liberdade de SER e da contradição de sentimentos que só uma mulher pode viver.

PS: Amei rir com Daniel, mas infelizmente ele não soube ter inteligência emocional e tato para ser fiel àquela que sempre o apoiou.

E nessa dança das cadeiras do grande vencedor, venceu aquela que jogou (sim, ela jogou muiiiiiito!) sem passar por cima, sem maldizer e sem trair NENHUM aliado.

VIVA MARIA!
VIVA A FORÇA DA MULHER INDEPENDENTE, SEGURA DE SEU PODER DE SEDUÇÃO E AMIGA DE VERDADE!


"Maria, Maria
É um dom, uma certa magia,
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta

Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonhos sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida"

(Elis Regina)

27/03/2011

Aprendendo a jogar



Pela primeira vez em uma final de BBB me sinto dividida...

São os meus campeões: A doçura inconsequente de Daniel, a falta de pudor de Maria e a educação de Wesley.

Tentando explicar, posso dizer que minha torcida se divide por:

Daniel
Meu veneno antimonotonia durante as madrugadas de festas, com seus porres homéricos, suas trapalhadas desastradas, seu despojamento em se jogar nas situações, por me fazer rir de suas tiradas cheias de time e pitadas de humor negro, por seu poder de observação e por representar exatamente o mínimo que se espera de um reality show como o BBB, o entretenimento, a diversão.

Maria
Foi a grande protagonista do show, mostrando suas fragilidades, esfregando na cara de todos o quanto o ser humano pode ser passional, desequilibrado e sem noção quando se apaixona.
Perdendo a linha e o respeito a si própria e com isso me deixando louca da vida - talvez por perceber que muitas vezes já fiz burradas e me humilhei por uma paixão que não merecia uma lágrima sequer dos meus olhos - para em seguida me matar de orgulho e ser forte quando, mesmo bebada, enxergava o jogo feio que seu pseudo amor estava fazendo.
E então, quando eu achava que tudo estava se acertando, lá vinha ela me fazer odiá-la por ficar pedindo e ouvindo mil opiniões e segundos depois ir lá e fazer tudinho o que tinham dito para ela NÃO fazer.
Maria, é o retrato das noites em que bebadas ligamos para nossa paixão por absoltamente nada, apenas para ouvir aquela voz e para, mais uma vez, ser rejeitada em plena madrugada.

Wesley
Ah Wesley... O mocinho educado, gentil, de bom papo, que dá carinho, que ri das nossas maiores tolices, que acha bonitinho quando ficamos bravas, que se preocupa com nossas imensas ressacas e cuida... Cuida sem julgar, sem dar sermão, sem ser o controlador de nossos passos, sem manipular nossos desejos e nem regular nossas mini-saias.
Ai Wesley... Vc conseguiu representar muito bem o papel do príncipe encantado. Sim, aquele príncipe encantado que mesmo sabendo de um possível passado negro de sua amada, aceita, acolhe e a faz assim, feminina, protegida e especial.

Agora eu me pergunto: COMO ASSIM, BIAL?

Acho que preciso aprender a jogar, a torcer, a amar...

15/03/2011

Evolução da espécie... Será?



Eu ainda me choco com gente preconceituosa e intolerante às preferências sexuais alheias! Povinho mais atrasado, viu!?

Definitivamente: NÃO É PQ ALGUÉM TEM GOSTOS SEXUAIS DIFERENTES DOS SEUS QUE VC PODE APONTAR O DEDO, XINGAR, HUMILHAR E DESRESPEITAR O OUTRO!

O mais engraçado é que NINGUÉM sabe o que seu semelhante gosta na cama, até ir lá e provar, mas na hora de discriminar um homossexual, neguinho nem se lembra que tem gente que gosta de xixi na cara, de lamber fezes, de chamar e ser chamada dos piores palavrões, de apanhar, de bater e de uma infinidade de coisas que são muito PARTICULARES. Assim como o FATO de gostar de meninos ou meninas!

Se enxerguem e parem de pensar no que OS OUTROS vão pensar, pois não se criam filhos para serem julgados, mas sim amados!

Odeio quem, com a desculpa de te amar, te diz que é errado justamente AMAR!

NÃO, NÃO E NÃOOOOOOOOO A IGNORÂNCIA!
SIM, SIM E SIMMMMMMM AO APOIO EMOCIONAL, AO CARINHO, A COMPREENSÃO E AO AMOR AS DIFERENÇAS!

05/03/2011

O preço da sedução


Bruna Surfistinha é daqueles filmes em que vc vai assistir desacreditando da qualidade e sai pensando em quanto o pré-conceito foi descabido e o filme surpreendente.

A interpretação de Deborah Secco me transmitiu inicialmente, aquele olhar amendrontado e curioso de menina da Raquel, depois a mudança para o ar desafiador de quem sabe o que quer, passando pela inércia do fundo do poço nas drogas e o brilho da esperança e coragem do recomeço.

Gostei muito do que vi! Uma história densa, intrigante, intensa, que seduz, faz pensar e questionar as escolhas de cada pessoa e o preço que se paga pelas situações que vivemos, pelas situações em que nos colocamos e quais as perdas e ganhos do que a gente se dispõe a fazer para mudar e "ser" livre.

O filme me chocou em alguns momentos, mas na maioria do tempo percebi o quanto há de força, inteligência e personalidade naquela mulher.
O quanto a vontade de SER a faz determinada em transformar suas inseguranças em garra e acreditar que consegue. Mesmo nos momentos mais dolorosos, como quando arrasada pelas drogas vê sua vida ruir, seu status despencar e mesmo assim decide continuar e reconstruir tudo para, mais uma vez, mudar de vida.

Não! Eu não faço apologia a trajetória de vida da Raquel, mas sim a capacidade dela em perceber que a gente sempre pode recomeçar.

Ahhh, contém cenas fortes de sexo, mas que em nenhum momento constrangem por serem APENAS cenas de sexo, mas sim pela idéia de se imaginar na situação onde muitas coisas, dentre elas o dinheiro, se sobressaem aos desejos de Raquel, a pessoa.


RECOMENDO! O filme e o desprendimento de assitir sem preconceitos...

19/01/2011

Transexualismo, BBB e Preconceitos



Engraçado perceber como um simples programa de televisão, como o Big Brother Brasil, é capaz de entreter e também levantar questões que podem e devem ser discutidas em sociedade, pois SIM é preciso esclarecer, ensinar e só assim, quebrar os pré-conceitos existentes contra o novo, o diferente.
Nos videos abaixo, um documentário da TV americana, mostra como vivem, o que sentem e como se comportam crianças com o chamado: TRANSTORNO DE IDENTIDADE E GÊNERO, mais conhecido como TRANSEXUALISMO.
São amostras emocionantes, que podem ajudar a compreender a forma como essas pessoas lidam com a situação e como suas famílias reagem diante de algo tão complexo.

[Por curiosidade:
Transtornos mentais = Alterações do funcionamento da mente que prejudicam o desempenho da pessoa na vida familiar, social, pessoal etc.
Doença = Em medicina é considerada doença as alterações da saúde que tem uma causa “determinada” e com ocorrência de alterações físicas “detectáveis”. ]

VIDEOS:

MEU EU SECRETO - Histórias de Crianças Transgêneras (Parte 1) : http://www.youtube.com/watch?v=HC57MOD4Xqw

MEU EU SECRETO - Histórias de Crianças Transgêneras (Parte 2) : http://www.youtube.com/watch?v=i4pMGMm3XQs

MEU EU SECRETO - Histórias de Crianças Transgêneras (Parte 3) : http://www.youtube.com/watch?v=E0shS5vhtw0


PARA QUEM QUISER SABER MAIS:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?421



PS: Por estas e outras que sou fascinada pela psiquiatria!

09/12/2010

Fim de ciclo: FALCULDADE / JORNALISMO



É estranho o que eu to sentindo lendo esses emails e vendo as fotos no álbum do Will...
Uma melancolia, uma saudade de coisas que talvez eu não consiga ter vivido com eles, um arrependimento de não ter ficado mais presente, de não ter conhecido mais um pouquinho de cada um.
Quero muito agradecer todos os momentos que vivi, todas as risadas que dei e o muito que aprendi com cada um.

Ai que raiva! Tô feliz por ter me formado, mas tô triste por saber que talvez nunca mais consigamos estar todos juntos (coisa que só acontecia mesmo em dia de prova).

Bom, das pessoas que estive mais próxima, acredito que tenha demonstrado todo meu carinho. Já para pessoas que eu aprendi a gostar, mas que não estavam seeempre junto comigo, eu quero que se sintam abraçadas e saibam que eu nunca vou esquecer tudo que vivi com elas. Foi tãooooooo gostoso!

Ai pára, já to chorando aqui!

A todos... obrigada, obrigada, obrigada!

Suzana